Aos 45 anos, Agostinho Sousa decidiu deixar uma carreira estável na banca para se tornar barbeiro. Depois de alguns anos de formação na área e a trabalhar numa barbearia em Picoas, decidiu abrir o seu próprio espaço em julho de 2020 na Praça da Alegria, dando uma nova vida à antiga barbearia “O Nosso Salão”.

É na Rua da Alegria 3 que podemos encontrar a GusBarber, uma barbearia que traz a tradição masculina do corte de barba e cabelo para a atualidade. Ao entrar no espaço somos invadidos por uma nostalgia difícil de definir. Talvez seja porque a pequena vitrine à entrada, os antigos bancos de pele, e até as antigas máquinas de barbear expostas nas paredes nos façam voltar ao tempo em que este espaço era “O Nosso Salão”.

“Adquiri a barbearia ao senhor Teixeira, antigo dono do espaço, e à sua filha. Fui cliente dele há muitos anos, quando trabalhava na Avenida, e quando decidi abrir o meu próprio negócio sempre olhei para este espaço com interesse”, conta Agostinho Sousa, dono da GusBarber.

Depois de se formar em sociologia e trabalhar 25 anos em gestão de carreiras numa multinacional, Agostinho Sousa começou a sentir-se “desgastado” e com vontade de mudar de percurso. O “bichinho pelo cabelo”, como lhe chama, já existia “desde pequenino”, por influência do “avô materno que era barbeiro em Ponte de Lima”.

“Nenhum filho ou neto quis ser barbeiro até que eu, aos 45 anos, decidi que ia mudar de vida e fazer jus ao nome dele. Foi um sonho que se tornou realidade, porque quando sai da banca sabia o que queria fazer e onde queria chegar”, afirma.

Não esconde que “ficou assustado, e até um pouco apreensivo”, por abrir o seu primeiro negócio por conta própria durante a pandemia de COVID-19. No entanto, afirma que “apesar de não haver uma grande afluência as coisas começaram a desenvolver-se. Os clientes começaram a voltar e até a trazer os filhos”.

“O conceito de barbearia para homem, com corte de barba e cabelo, está a voltar. Consegui alguns clientes aqui da freguesia, que vinham à barbearia do senhor Teixeira há muitos anos, para além da carteira de clientes que já tinha”, explica.

À porta da barbearia, Agostinho Sousa não perde a oportunidade de cumprimentar pelo nome quem vai passando pela rua, trocando, por vezes, dois dedos de conversa. Já conhece a freguesia há muitos anos e, para ele, é como se fosse “uma vila dentro de Lisboa”. Não esconde que se sente realizado e que, neste momento, é muito feliz: “De cada vez que corto o cabelo e mudo uma pessoa, quando vejo um sorriso no espelho e o cliente volta uma segunda vez… Para mim é mais importante que o dinheiro que esteja na caixa, sem dúvida nenhuma”, afirma com um sorriso.

Aberto de terça a sábado das 10h às 20h.