O elevado número de casos de violência doméstica no corrente ano levou à criação, por parte do governo português, de uma comissão técnica multidisciplinar para a melhoria da prevenção e combate à violência doméstica. E antes da apresentação de propostas concretas há que conhecer as respostas já existentes, como é o Espaço Júlia – RIAV (Resposta Integrada de Apoio à Vítima). A funcionar desde o dia 27 de julho de 2015 na Rua Luciano Cordeiro, em instalações junto à entrada do Hospital Santo António dos Capuchos. 

No dia 6 de maio de 2019, Rui do Carmo Fernando, coordenador da comissão, Luís Moreira Isidro, representante da Ministra da Justiça e Purificação Gandra, representante da Secretária de Estado da Saúde, ficaram muito satisfeitos com a resposta dada pela Freguesia de Santo António, o Comando Metropolitano de Lisboa da Polícia de Segurança Pública e o Centro Hospitalar Lisboa Central.

“É uma forma válida e articulada entre a Junta, Centro Hospitalar com as Forças de Segurança que conseguiram encontrar aqui um modelo para replicar por esta cidade e pelo resto do país”, afirma Purificação Gandra, representante da Secretária de Estado da Saúde no dia da visita ao Espaço Júlia. Ao longo desta visita foi possível perceber como é que este espaço tem funcionado 365 dias por ano, 24 horas por dia, sendo “um excelente exemplo de urgência”, segundo Luís Isidro.

“Eu gostei imenso de constatar que há uma resposta integrada, de urgência, que está aberta 24h/por dia e que de alguma maneira responde aquilo que são os grandes problemas das forças de segurança que têm que atender vítimas de violência doméstica por esse país fora, depois das 17h sem terem ninguém que os apoie no encaminhamento das vítimas”, concluiu.

O Presidente da Freguesia Vasco Morgado, salientou que este projeto não é nosso, mas das vítimas” e que tem sido “um fruto à medida que se tem vindo a transformar”.

Num prazo não superior a três meses, esta comissão terá a seu cargo a apresentação de um relatório final com recomendações em três áreas: agilizar a recolha, tratamento e cruzamento dos dados quantitativos oficiais em matéria de violência doméstica; aperfeiçoamento dos mecanismos de proteção da vitima nas 72 horas subsequentes à apresentação da queixa-crime e, por fim, qualificar melhor os profissionais que trabalham nestas áreas: policias, magistrados, técnicos de apoio à vítima.