Haverá melhor do que sentar numa esplanada, em Roma, ao fim da tarde, experimentando o anonimato e uma bebida de cor esquisita - monumentos e monumentos por ver e a preguiça avançando docemente?

Com esta questão Álvaro Siza Vieira recebe os visitantes da exposição “Álvaro Siza Viagens” que inaugurou esta quinta-feira, 05 de maio, na Biblioteca Arquitecto Cosmelli Santa’Anna (BACS).

“Eu estou encantada com esta exposição, acima de tudo porque o Siza Vieira é uma das grandes figuras da nossa cultura”, conta-nos Filipa Roseta, vereadora da Câmara Municipal de Lisboa. Confidencia que não consegue escolher um desenho preferido, mas que gosta muito do que representa o Rio de Janeiro e “aquele que tem os olhos das figuras humanas. Ele desenha arquitetura e imagina a arquitetura como se fossem pessoas. E, portanto, a pessoa vê os edifícios dele nos desenhos das viagens que ele percorre. Ele anda sempre, como diz no livro, a imaginar a evidência”.

Presente na inauguração esteve também Pedro Siza Vieira, sobrinho do arquiteto, que conhece algumas das obras: “Posso dizer que há um ou outro que ainda os vi a ser produzidos, mas não consigo dizer exatamente quais porque o meu tio está sempre a desenhar. Em qualquer circunstância está a desenhar. É uma maneira que tem, não apenas de absorver o que está a ver, mas também de experimentar coisas que depois vai usar ao longo da sua vida”.

Visivelmente orgulhoso por ter, pela primeira vez, na Freguesia de Santo António de Lisboa, uma exposição de Álvaro Siza, estava o presidente Vasco Morgado que, na inauguração, afirmou que “É um prazer receber a exposição deste grande nome da arquitectura portuguesa e internacional que nos deu a honra de expor, pela primeira vez, as suas viagens em Lisboa”.

Inserido no ciclo BACS ARQ. esta exposição leva o visitante a viajar pelas mãos de Álvaro Siza. Recorrendo ao lápis ou a uma bic, começa por fixar as imagens, com riscos tímidos, deixando para trás o stress, o tédio. Uma vez que para o arquiteto nenhum desenho lhe “dá tanto prazer como estes: desenhos de viagem”.

As “Viagens” começam na Itália, continuam por outros continentes: África, América, Ásia. Sem mapa e com uma “absurda sensação de descobridor”, gosta de “ver apenas o que lhe atrai”, como afirma Álvaro Siza.

O visitante pode ainda observar um caderno original onde o arquiteto representa um “Projeto da Casa e estúdio para um escultor de Múrcia”. Aqui revela-nos que na sua primeira visita ao local, o terreno era “difícil e aparentemente de grande beleza (recebera programa, planta topográfica e algumas fotos). Com uma esferográfica e um pequeno caderno no bolso procuro o portão de acesso (...) anoto no caderno o que vou vendo, próximo e distante (...). Anoto o que não se pode desenhar: as dúvidas. Assim início um projecto. Nebuloso e instável”.

Visite a exposição até ao dia 8 de julho, das 10h00 às 13h30 e das 14h30 às 18h00, na rua Alexandre Herculano, nº46, R/C Drt.