Foi com um misto de estupefação e incredulidade que a Freguesia de Santo António teve conhecimento da proposta do vereador único do Partido Livre na Câmara Municipal de Lisboa acerca da “Eliminação do trânsito automóvel na Avenida da Liberdade em todos os domingos e feriados”.

Estupefação, pois fazer relacionar a Guerra na Ucrânia com alterações de trânsito é apenas banalizar uma tragédia e usar um assunto de grande preocupação mundial para fazer prova de existência. Incredulidade, ao perceber que, na realidade, há mesmo quem pense que retirar o trânsito automóvel de uma artéria principal da cidade, sobrecarregando as ruas laterais e limítrofes pode ser uma boa ideia para minimizar a poluição.

Esta proposta é feita, por quem não conhece nada da cidade para onde foi eleito, as suas dinâmicas e as necessidades da população.

É uma proposta com fins meramente mediáticos, aliás como foi a também recente proposta de alterações para a Av. Almirante Reis – e não leva em linha de conta quem vive, trabalha ou visita a nossa cidade.

Também do ponto de vista ambiental, esta proposta é irrelevante senão pior, pois ao eliminar o trânsito da Avenida da Liberdade transfere o trânsito automóvel para as ruas adjacentes, mais estreitas e afuniladas, aumentando substancialmente a poluição nesses espaços, “diretamente para as janelas dos habitantes” e prejudicando quem aqui vive, que todos os dias sofre com a falta de espaço para estacionar.

“Este tipo de propostas ao invés de ter um efeito positivo na vida das pessoas, serve apenas para causar algum alarme público” – prova disso foi a enchente de contactos que imediatamente a Freguesia recebeu, por parte do comércio, espaços culturais e hotéis da Av. da Liberdade – e demonstrar, para todos, que “antes de se fazerem propostas é necessário fazer o trabalho de casa, estudar, pensar e ouvir a população”, palavras de Vasco Morgado, presidente da Freguesia de Santo António.

Quem apresenta esta proposta está apenas a querer demonstrar a sua existência. Está numa lógica de fazer valer a vontade de uma maioria negativa de esquerda. Está apenas e só contra um presidente de Câmara, escolhido pelos lisboetas e que, este sim, tem um programa e um projeto para melhorar a vida do dia a dia de todos lisboetas, de todo o comércio e de todos aqueles que nos visitam.